sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

SUPRASSUMOS DA QUINTESSÊNCIA - Paulo Leminski - exercícios

Paulo Leminski – Suprassumos da quintessência

          O papel é curto.
Viver é comprido.
          Oculto ou ambíguo,
Tudo o que digo
          tem ultrassentido.

          Se rio de mim,
me levem a sério.
          Ironia estéril?
Vai nesse ínterim,
          meu inframistério.

(Paulo Leminski)

EXERCÍCIOS

01. Pela leitura, conclui-se que

A) o poeta fez uma brincadeira poética com as palavras suprasumos e quintessência, porque, seguindo o léxico da Língua Portuguesa, a primeira palavra deveria estar grafada: supra-sumos. Quintessência existe na Língua Portuguesa, é uma variante.

B) não há alteração quanto à grafia da palavra ultrasentido. Ela segue a regra do hífen em palavras com prefixo ultra, seguido de s, que devem ser escritas sem hífen. Por exemplo: ultrasonografia.

C) segundo o processo de formação das palavras, em quintessência ocorre uma composição por aglutinação, assim como ocorre o mesmo processo nas palavras aguardente e girassol. Quinta-essência significa "o que há de mais perfeito / o mais alto grau"

D) o prefixo da palavra inframistério significa "na parte inferior", "abaixo". Essa palavra está escrita incorretamente. O poeta optou pela omissão do hífen em todas as palavras com prefixos.

E) o verbo viver (2º verso), se viesse precedido do artigo o, passaria por um processo de formação de palavras, porque o artigo transformaria o verbo numa palavra substantivada. Assim como a palavra o combate, por exemplo, do verbo combater.

02. Destaque as antíteses do poema.

03. Na primeira estrofe, o poeta se refere à sua própria produção escrita:
a) Que metonímia representa seus textos escritos?
b) Destaque os adjetivos que se referem, direta ou indiretamente, à poesia.

04. O poeta acrescentou prefixos as palavras finais de cada estrofe, realçando-lhes o sentido.Que palavras são essas  e o que passaram a significar?

05. Levando em conta o título, esse é um poema para ser lido ironicamente? Por quê?




GABARITO
01. Letra A
02. “curto” x “comprido” – “rio” x “sério”
03. a) papel        b) “Oculto”, “ambíguo” e “ultrasentido”.
04. ”Ultrassentido”, “inframistério”.Significam o poder da poesia.
05. Sim, porque o título expressa e sintetiza os exageros  presentes no poema, conduzindo ao “ultrasentido” do poeta.



AUTO DA COMPADECIDA, Ariano Suassuna - exercícios


    Identificando-se com os nordestinos , Ariano Suassuna é o maior escritor do teatro popular.  Assume, categoricamente, a herança do teatro medieval português, nomeando como auto ou farsa alguns de seus textos. No Auto da Compadecida Nossa Senhora manifesta a sua misericórdia aos pobres.

I. Auto da Compadecida,  Ariano Suassuna

BISPO -  Que há? Que é isso? Que barulho!
MULHER - É  Severino  do  Aracaju,  que  entrou  na  cidade  com um cabra e vem para cá roubar a igreja.
PADRE – Ave- Maria! Valha-me Nossa Senhora!
BISPO - Quem é Severino do Aracaju?
SACRISTÃO - Um cangaceiro, um homem horrível.
BISPO, à mulher. - Chame a polícia.
MULHER - A polícia correu.
BISPO  - Correu?
MULHER - E então? Informaram-se por onde ele vinha e saíram exatamente pelo outro lado.
BISPO - Ave-Maria! Valha-me Nossa Senhora!
MULHER - Ai! meu Deus!
PADEIRO - Ai! meu Deus!
PADRE - E será verdade mesmo? Onde está Severino?
SEVERINO, aparecendo - Aqui.
BISPO, desmaiando - Ai!
JOÃO GRILO - Que grande administrador!
SEVERINO - Um   momento,   ninguém   corra.   O   primeiro   que tentar fugir, morre. O que é isso que está aí deitado, é algum cônego?
BISPO, abrindo os olhos, cioso do posto - Bispo.
SEVERINO - Ótimo. Nunca tinha matado um bispo, o senhor vai ser o primeiro.
BISPO, desmaiando -  Ai!
SEVERINO, dando-lhe um pontapé - Levante-se  e  deixe  de  chamego.  Xilique  comigo não   pega.   (O   Bispo   levanta-se   vagarosamente.) Vossa Reverendíssima vai-me desculpar, mas deixe ver os bolsos.
BISPO - Não tenho nada, o capitão compreende...
SEVERINO, cortante - Mesmo  assim  eu  quero  ver.  E  deixe  de  me  chamar de capitão, que eu não gosto.
BISPO - E como hei de chamá-lo então?
SEVERINO - Severino, que é meu nome de batismo.
PADRE - É  que  nós  não  temos  coragem  de  chamar  uma pessoa tão importante de Severino.
SEVERINO - Isso tudo é porque quem está com o rifle sou eu. Se fosse qualquer um de vocês, eu era chamado era de  Biu. Deixem de conversa, que isso comigo não vai. Mostre os bolsos. (Tirando o dinheiro.) Seis contos!  Mas  é  possível?  Já  vi  que  o  negócio  de  reza  está prosperando por aqui.

JOÃO GRILO - Depois  que se  começou  a  enterrar  cachorro  então, faz gosto!
SEVERINO - E tudo isto foi para se enterrar um cachorro?
JOÃO GRILO - Foi.
SEVERINO - Nesse  caso  o  padre  deve  ter  também  alguma  coisa para seu amigo Severino.
PADRE - Tenho,  não  vou  negar.  Aqui  estão  dois  contos, Senhor   Severino.   É   o   que   posso   lhe   dar,   no momento.
SEVERINO, irônico - É  mesmo,  padre?  Não  é  possível!  Numa  terra  em que  o  bispo  tem  seis  contos,  o  padre  deve  ter  no mínimo  uns  três.  (Severo.)  Deixe  ver  os  bolsos. Olhe  lá,  eu  não  disse?  Fazendo  jogo  sujo,  hem, padre?  Quem  diria,  um  ministro  de  Deus!  Enfim, isso  é  um  fim  de  mundo.  E  o  sacristão,  que  é  que me diz disso tudo?
SACRISTÃO - Só tenho a lamentar minha pobreza, não me permite ajudar os amigos.
SEVERINO - Mais  pobre  do  que  Vossa  Senhoria  é  Severino  do Aracaju, que não tem ninguém por ele, a não ser seu velho  e  pobre  papo-amarelo.  Mas  mesmo  assim  eu quero   ajudá-lo,   porque   Vossa   Senhoria   é   meu amigo.  (Tirando  o  dinheiro.)  Três  contos!  Estou quase  pensando  em  deixar  o  cangaço.  Eu  deixava vocês  viverem,  o  bispo  demitia  o  sacristão  e  me nomeava  no  lugar  dele.  Com  mais  uns  cinqüenta cachorros  que  se  enterrassem,  eu  me  aposentava. (Sonhador.)  Podia  comprar  uma  terrinha  e  ia  criar meus bodes. Umas quatro ou cinco cabeças de gado e  podia-se  viver  em  paz  e  morrer  em  paz,  sem nunca mais ouvir falar no velho papo-amarelo.
BISPO - Mas é uma grande ideia, Severino.
SEVERINO - É  uma  grande  ideia  agora,  porque  a  polícia  fugiu. Mas  ela  volta  com  mais  gente  e  eu  não  dava  três dias  para  o  senhor  bispo  fazer  o  enterro  do  novo sacristão.

 AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 104, 105, 106, 107, 108; 


Exercícios

01. Cite as críticas às instituições presentes no fragmento.
02. Suassuna critica a estrutura dessas instituições?
03. Nos textos de Ariano Suassuna, encontram-se personagens capazes de sugerir soluções inteligentes e criativas. Como se percebe nesse fragmento a perspicácia de Severino?



GABARITO:

01. Os representantes do clero são caracterizados como fracos e dissimulados, e os da polícia, como covardes.
02. Como Gil Vicente, Suassuna parece investir com mais força contra os representantes dessas instituições do que contra sua estrutura propriamente dita.
03. Por sua argumentação, que cria armadilhas para seus interlocutores.



II. Auto da Compadecida, Ariano Suassuna


JOÃO GRILO: E quem foi que disse que nós já fomos julgados pela justiça? 
PADRE: Você mesmo ouviu Nosso Senhor dizer que a situação era difícil. 
JOÃO GRILO: E difícil quer dizer sem jeito? Sem jeito! Sem jeito por quê? Vocês são uns pamonhas, qualquer coisa estão arriando. Não vê que tiveram tudo na terra? Se tivessem tido que aguentar o rojão de João Grilo, passando fome e comendo macambira na seca, garanto que tinham mais coragem. Quer ver eu dar um jeito nisso, Padre João? 
PADRE: Quero, Joca. 
JOÃO GRILO: Agora é Joca, hem? E você, Senhor Bispo?
BISPO: Eu também, João. 
JOÃO GRILO: Padeiro? 
PADEIRO: Veja o que pode fazer, João. 
JOÃO GRILO: Severino? Mulher e cabra? 
MULHER: Nós também. Nossa esperança é você [...]
JOÃO GRILO: Um momento, Senhor. Posso dar uma palavra? 
MANUEL: Você o que é que acha, minha mãe? 
A COMPADECIDA: Deixe João falar. 
MANUEL: Fale, João. 
JOÃO GRILO: Os cinco últimos lugares do purgatório estão desocupados?
MANUEL: Estão.
 JOÃO GRILO: Pegue esses cinco camaradas e bote lá.

                                                                    AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 167; 168; 181


Exercícios

01. UEAP/2014
As ações descritas na cena teatral caracterizam bem o protagonista da peça que 

(A) busca, com sua esperteza, dar crédito aos argumentos do Bispo, por meio de chistes e piadas. 
(B) recorre, a cada novo conflito vivido por ele e o Padeiro, seu patrão, ao expediente de invocar a Compadecida.
(C) aparece subvertendo papéis, passando de oprimido a salvador dos seus opressores.
(D) renuncia completamente à ordem, ficando na plena marginalidade por suas escolhas de esferas categóricas.

02. UEAP/2014
Um auto é uma peça teatral – gênero dramático – marcado pela presença da alegoria. Frequentemente, é de inspiração religiosa e moralizante. No trecho citado, e em toda a peça, personagens como Manuel e Compadecida são construídos para 

(A) retratar o sentimento religioso do nordestino, numa visão iconoclasta. 
(B) expressar uma religiosidade simples e humanizada, mais próxima do povo. 
(C) exaltar o sentimento da justiça divina ao contemplar os simples e puros de coração. 
(D) denunciar o clero católico que, ávido por riquezas, deixa de cumprir a doutrina romana. 

03. UEAP/2014
 A peça Auto da Compadecida apresenta, estruturalmente, quinze personagens, e entre estas o Palhaço, usado como

(A) figura que mente, solícita e eficazmente, para praticar com esmero as artimanhas de João Grilo. 
(B) tipo de representação do covarde, do mentiroso inofensivo e de fé inabalável.
(C) pessoa que engana, na retórica popular e na tradição do jeitinho brasileiro, do patrão ao padre. 
(D) elemento de ligação na trama, por meio de suas peripécias e artimanhas. 


GABARITO
01.C
02.D
03.B

EXERCÍCIOS SOBRE SUJEITO E PREDICADO

    Para a gramática tradicional uma oração apresenta basicamente o sujeito e o predicado, pois em toda a oração é fundamental existir um termo sobre o qual se afirma algo e aquilo que se enuncia sobre ele.

Exercícios

01. Na frase: " Os cadernos verdes estavam sobre a cama",  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

02. Na frase: "Foram convocados todos os candidatos da lista de espera" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

03. Na frase: "Fizeram dois anos ontem meu minha filha e meu sobrinho" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

04. Na frase: "Já não se acredita em milagres" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

05. Na frase: "Pode chover menos amanhã" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

06. Na frase: " Choveram críticas ao jornal de ontem" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

07. Na frase: " Já basta de mentiras" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

08. Na frase: " Viste o mar azul de hoje?" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

09. Sobre a classificação do predicado, é incorreto afirmar:

a) Quando núcleo do predicado for um nome (adjetivo ou substantivo), ele será chamado de predicado nominal. O predicado nominal é composto por um verbo de ligação e um predicativo do sujeito. 

b) Quando o núcleo do predicado for um verbo, esse predicado será chamado de predicado verbal.

c) O predicado verbo-nominal assim é chamado por ser resultado da fusão de um predicado verbal com um predicado nominal.

d) No predicado-verbo nominal, o núcleo nominal apenas poderá ser representado pelo predicativo do objeto.

10. "O sol entra cada dia mais tarde, pálido, fraco, oblíquo."  "O sol brilhou um pouquinho pela manhã".  Pela ordem, os predicados das orações acima classificam-se como:

a) nominal e verbo-nominal
b) verbal e nominal
c) verbal e verbo-nominal
d) verbo-nominal e nominal
e) verbo-nominal e verbal

11. Classifique os tipos de predicado nos enunciados abaixo:

a) Ricardo chegou cansado.
b) O filme foi emocionante
c) Chove bastante na minha região.
d) O professor já corrigiu as provas.
e) Os excursionistas chegaram cansados.
f) Come-se com fartura em sua casa.
g) Todos ficaram quietos.
h) O ônibus saiu atrasado.
i) A taxa de mortalidade infantil está elevada.

12. Assinale a sequência correta quanto à classificação dos predicados das orações a seguir:

I.     Ela chegou à festa.
II.    Os moradores estavam revoltados.
III.  Ele encontrou os amigos no bar.
IV.   Os estudantes protestaram nervosos contra a corrupção. 
V.     Ela ficou aflita com a sua demora.

a) verbo-nominal, ; nominal; nominal; verbal; predicativo do objeto.
verbal
b) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; nominal.
c) verbal; predicativo do objeto; nominal; nominal; verbo-nominal.
d) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; verbal.

13. Sobre os enunciados abaixo, pode-se afirmar que:

I.   Milena está adoentada.
II.  Milena está no hospital.

a) O predicado é verbal em I e II.
b) O predicado é nominal em I e II.
c) O predicado é verbo-nominal em I e II.
d) O predicado é verbal em I e nominal em II.
e) O predicado é nominal em I e verbal em II.

14. "Éramos três velhos amigos na praia quase deserta". O sujeito desta oração é:

a) subtendido
b) claro, composto e determinado.
c) indeterminado.
d) inexistente.
e) claro, simples e determinado.






GABARITO:
01. a) Sujeito simples
02. a) Sujeito simples
03. b) Sujeito composto
04. d) Sujeito indeterminado
05. e) Sujeito inexistente
06. a) Sujeito simples
07. e) Sujeito inexistente
08. c) Sujeito oculto 
09. d) 
No predicado-verbo nominal, o núcleo nominal poderá ser representado pelo predicativo do objeto e também pelo predicativo do sujeito.
10. e) verbo-nominal e verbal
11. 
a) verbo-nominal
b) nominal
c) verbal
d) verbal
e) verbo-nominal
f) verbal
g) nominal
h) verbo-nominal
i) nominal

12) b) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; nominal.
13) e) O predicado é nominal em I e verbal em II.
14) e) claro, simples e determinado.

domingo, 18 de dezembro de 2016

DOM CASMURRO - MACHADO DE ASSIS- EXERCÍCIOS


EXERCÍCIOS

      1. (FUVEST / GV) O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui.
É o que diz o narrador no segundo capítulo do romance Dom Casmurro. Afinal por que não teria ele alcançado o seu intento?

(A) Pelas dificuldades inerentes à estrutura do romance, na recuperação de outros tempos.
(B) Pelo receio de confessar suas fraquezas e a traição sofrida.
(C) Porque era impossível recuperar o sentido daquele período, pois ele já não era a mesma pessoa.
(D) Pela falta de bom senso e de clareza na apreensão das lembranças.
(E) Porque o tempo, impiedoso, apaga todos os acontecimentos e transforma as pessoas.


2. (UFL) Todas as alternativas apresentam informações sobre Dom Casmurro, de Machado de Assis, exceto:

(A) A questão do adultério, tratada de forma ambígua pelo autor, permanece em aberto no fim da narrativa.
(B) O narrador, através do exercício da memória, busca ligar o presente ao passado, a velhice à adolescência.
(C) O narrador protagonista, ao assumir a primeira pessoa, apresenta uma visão tendenciosa dos acontecimentos.
(D) O autor, introduzindo-se na narrativa, fornece ao leitor informações que contradizem as opiniões do narrador.
(E) A narrativa, marcada pela ironia, mantém uma relação intersexual com a tragédia Otelo, de Shakespeare.


3. (UFU-MG) Considere a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, e as afirmativas que se seguem:

I. Da Glória tentava impedir o casamento de Bentinho com Capitu, pois desejava que ele se unisse a Sancha.
II. Bento Santiago não teve problemas em homenagear o amigo Escobar, por ocasião de seu enterro, pois era seu melhor amigo.
III. A cena descrita no velório de Escobar (homens e mulheres chorando) é uma característica do Romantismo presente em todo o Dom Casmurro — obra que tem como tema os infelizes amores de Bentinho e Capitu.
IV. “Olhos de ressaca” — referência dada a Capitu — evidencia o seu poder de envolvimento e o grande fascínio que ela exerce sobre Bentinho, tal qual as vagas do mar.
V. Apesar da suspeita de adultério, o amor consegue superar a desconfiança fazendo com que Bentinho se reconcilie com a família de Capitu.

Assinale:

(A) Se apenas IV é correta.
(B) Se apenas I, II são corretas.
(C) Se apenas III e V são corretas.
(D) Se apenas V é correta.
(E) Nenhuma delas é correta.


4. (PUCCAMP-SP) O trecho abaixo é parte do último capítulo de Dom Casmurro, de Machado de Assis:

O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Mata-cavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. I: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.

Invocando aqui a memória e o testemunho do leitor de sua história, o narrador arremata a narrativa:

(A) lembrando que os ciúmes de Bentinho por Capitu poderiam perfeitamente ser injustificáveis.
(B) concluindo que a única explicação para a traição de Capitu é a força caprichosa de circunstâncias acidentais.
(C) citando uma passagem da Bíblia, à luz da qual acaba admitindo a possibilidade da inocência de Capitu.
(D) pretendendo que a personalidade de Capitu tenha se desenvolvido de modo a cumprir uma natural inclinação.
(E) se mostra reticente quanto à convicção de que fora traído, sugerindo que continuará ponderando os fatos.


5. (PUC-PR) Com base na leitura de Dom Casmurro, e considerando a importância de Machado de Assis para a literatura brasileira, identifique as alternativas como VERDADEIRAS ou FALSAS:

( ) Escrito quando o Realismo era a estética dominante, Dom Casmurro é antes um “romance filosófico” que um “romance social”.
( ) Ao contrário de diversas heroínas românticas, punidas com a morte por comportamentos inadequados para os padrões de sua época, a principal personagem feminina de Dom Casmurro não morre no final da narrativa.
( ) Ainda que acreditasse não ser pai de Ezequiel, Bento Santiago não deixou que isso interferisse na relação pai-filho, e sempre quis ter o rapaz muito perto de si.
( ) Assim como em Esaú e Jacó, a presença do Imperador e as referências à vida política brasileira são constantes em Dom Casmurro e interferem nos acontecimentos narrados.

A seqüência correta é:

(A) V, F, F, F
(B) F, F, F, V
(C) F, V, F, V
(D) V, V, V, F
(E) F, V, F, F

6. (UFPR) A propósito de Dom Casmurro, de Machado de Assis, é correto afirmar:

(A) A narrativa de Bento Santiago é comparável a uma acusação: aproveitando sua formação jurídica, o narrador pretende configurar a culpa de Capitu.
(B) O artifício narrativo usado é a forma de diário, de modo que o leitor receba as informações do narrador à medida que elas acontecem, mantendo-se assim a tensão.
(C) Elegendo a temática do adultério, o autor resgata o romantismo de seus primeiros romances, com personagens idealizadas entregues à paixão amorosa.
(D) O espaço geográfico e social representado é situado em uma província do Império, buscando demonstrar que as mazelas sociais não são prerrogativa da Corte.
(E) Bentinho desejava a morte de Escobar (até tentou envenená-lo uma vez), a ponto de se sentir culpado quando o ex-amigo morreu afogado.


7. (FUVEST) Podemos afirmar que na obra D. Casmurro, Machado de Assis:

(A) defende a tese de que o meio determina o homem porque descreve a personagem Capitu desde o início como uma futura adúltera.
(B) defende a tese determinista porque o meio em que Bentinho e Capitu vivem determina a futura tragédia.
(C) não defende a tese determinista, apontando antagonismo entre o meio e a tragédia final.
(D) defende a tese determinista ao demonstrar a influência da educação religiosa na formação de Capitu.
(E) não defende a tese determinista de modo explícito porque não fica clara a relação entre o meio e o fim trágico dos personagens.


8. (Conc. Federal) Machado de Assis, em Dom Casmurro, mostra Capitu como personagem de maior destaque. Bentinho nutria, em relação a ela, sentimentos de

(A) profunda admiração e respeito.
(B) amor desmedido.
(C) verdadeira veneração de ordem espiritual.
(D) ciúme exacerbado, raiando os limites de doença mental.
(E) nenhuma admiração ou respeito.


9. (UFPR) No segundo capítulo de Dom Casmurro, o narrador-personagem expõe as razões que o levaram a escrever suas memórias.
Relacionando esse capítulo com o romance, é correto afirmar que, ao procurar "atar as duas pontas da vida", Bentinho:

(A) obtém um relato lúcido e imparcial a respeito do seu passado, vencendo os preconceitos característicos da classe a que pertencia, uma vez que, tendo sido, ele mesmo, vítima de um universo social baseado na rigorosa autoridade paternal, pôde, ao final da vida, avaliar o preço alto da solidão.
(B) reconhece seu fracasso, apontando as lacunas de "um livro falho" próprio narrador que, apesar de todo o esforço empreendido para incriminar sua mulher, compromete a si mesmo, distorcendo as circunstâncias que o envolvem.
(C) reconcilia-se com o seu passado e consigo mesmo, mostrando-se arrependido por ter sido injusto e extremamente cruel, nos seus julgamentos e atitudes, em relação às pessoas que mais amara: não apenas diante de Capitu e Escobar, mas, principalmente, em relação a Ezequiel.
(D) convence o leitor de que Capitu foi de fato infiel. Os argumentos apresentados pelo narrador são suficientes para fundamentar as vagas impressões de um homem que, apesar de apegado aos valores tradicionais da família patriarcal brasileira do final do século XIX, compreende a independência de espírito de sua mulher.
(E) não consegue convencer o leitor de que Capitu é infiel. Os argumentos apresentados pelo narrador não são suficientes para fundamentar as vagas impressões de um homem que, apesar de apegado aos valores tradicionais da família patriarcal brasileira do final do século XIX, compreende a independência de espírito de sua mulher.


10. (PUC-Rio) A EXPOSIÇÃO RETROSPECTIVA

Já sabes que a minha alma, por mais lacerada que tenha sido, não ficou aí para um canto como uma flor lívida e solitária. Não lhe dei essa cor ou descor. Vivi o melhor que pude sem me faltarem amigas que me consolassem da primeira. Caprichos de pouca dura, é verdade. Elas é que me deixavam como pessoas que assistem a uma exposição retrospectiva, e, ou se fartam de vê-la, ou a luz da sala esmorece. Uma só dessas visitas tinha carro à porta e cocheiro de libré. As outras iam modestamente, calcante pede, e, se chovia, eu é que ia buscar um carro de praça, e as metia dentro, com grandes despedidas, e maiores recomendações.(...)

E BEM, E O RESTO?

Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, ver. 1: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti.” Mas eu creio que não. E tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca. E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve! (...)

O trecho em questão pertence à antológica obra de Machado de Assis:

(A) Memórias póstumas de Brás Cubas
(B) Dom Casmurro
(C) Memorial de Aires
(D) Quincas Borba
(E) Senhora


11. (UEL/PR)
O texto abaixo é o último capítulo do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.

    Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é esse propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. 1: "Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti". Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.
    E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A Terra lhes seja leve! Vamos à História dos subúrbios. Pela leitura do texto, é correto afirmar que, depois de contar a história da sua vida e do seu amor por Capitu, Bentinho, o narrador:

(A) Conclui que Capitu não o traiu.
(B) Buscando conforto na Bíblia, chega à conclusão de que, apesar de Capitu o ter traído, ele deveria perdoar-lhe e não sentir ciúmes dela.
(C) Não tem certeza de que Capitu o traiu, embora acredite que ela tenha se transformado muito desde a adolescência, aparecendo quando adulta como uma cigana traiçoeira e dissimulada.
(D) Chega à conclusão de que Capitu já possuía, quando menina, os traços psicológicos que a caracterizariam na fase adulta.
(E) Constata que Capitu e seu amigo José Dias mantinham um romance desde a adolescência.

Gabarito:

1 – C; 2-D; 3-A; 4- D; 5-A; 6-A; 7-E; 8-D; 9-B; 10-B. 11-D

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

POESIA CONCRETA




    O Concretismo foi lançado na I Exposição Nacional de Arte concreta, que se realizou em São Paulo (1956) e no Rio de Janeiro (1957).
   A poesia concreta é aquela que valoriza mais a linguagem visual do que a linguagem verbal. Os versos e estrofes, características tão marcante no poema, deixam de ser fundamentais; o espaço passa a ser explorado e a forma como as palavras e as letras são colocadas no papel faz com que surja um novo significado. Este movimento surgiu, oficialmente,  em 1956,  com a Exposição de Arte Concreta, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo.. Os principais poetas que deram início a este novo estilo foram Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pìgnatari. Veja o poema abaixo:
poesia concreta



    A poesia concreta sugere a eliminação do verso tradicional  como elemento fundamental do poema, para dar maior realce aos aspectos verbais, sonoros e visuais da palavra. Em vez de apresentar as palavras em sequência, como nos versos tradicionais, propõe sua distribuição no papel de modo criativo e não linear, explorando, assim, a camada material do significante, isto é, o som, a forma, o tamanho da palavra, a disposição geométrica dos vocábulos na página; surge o poema-objeto.

CARACTERÍSTICAS

a.  Rejeita o verso e a sintaxe tradicionais,
b.  Aboliu a linearidade, o texto discursivo,
c.  As letras e palavras distribuem-se em todo o espaço da folha, criando novas sugestões.

    O concretismo é um marco revolucionário na poesia brasileira da segunda metade do século XX. Contestando-o parcialmente, mas seguindo as trilhas abertas no sentido da libertação das formas, seguiram-se três movimentos: o Neoconcretismo, a Poesia-Práxis e o Poema Processo.

A) Neoconcretismo: 
    Foi um movimento artístico surgido no Rio de Janeiro, em fins de 1950, como reação ao concretismo ortodoxo. Os neoconcretistas procuravam novos caminhos dizendo que a arte não é um mero objeto: tem sensibilidade, expressividade, subjetividade, indo muito além do mero geometrismo puro

B) Poesia-Práxis:

    Surge de uma dissidência  no grupo concretista, em fins dos anos 50, mas só em 1961 lançaria seu Manifesto Didático, assinado por Mário Chamie.
    O texto-práxis valoriza a palavra dentro de um contexto extralinguístico, caracterizado pela "periodicidade e repeitção das palavras, cujo sentido e direção  mudam", conforme sua posi~ção no texto. Para o poeta " a palavra é uma célula viva do discurso".
    Os poetas Yone Giannetti Fonseca, Armando Freitas e Antônio Carlos Cabral filiaram-se ao grupo práxis.

C) Poema Processo:

    É representativo de uma vanguarda lançada em 1968. Caracteriza-se mais como uma arte gráfica do que literária: a palavra dá lugar a símbolos gráficos.a preocupação com a sugestão poética cede espaço a uma aproximação com os recursos empregados na comunicação de massa.

Waldemir Dias Pinto é precursor do conceito de versão que mais tarde seria desenvolvido pelo Poema-Processo.




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