sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
AUTO DA COMPADECIDA, Ariano Suassuna - exercícios
Identificando-se com os nordestinos , Ariano Suassuna é o maior escritor do teatro popular. Assume, categoricamente, a herança do teatro medieval português, nomeando como auto ou farsa alguns de seus textos. No Auto da Compadecida Nossa Senhora manifesta a sua misericórdia aos pobres.
I. Auto da Compadecida, Ariano Suassuna
BISPO - Que há? Que é
isso? Que barulho!
MULHER - É
Severino do Aracaju,
que entrou na
cidade com um cabra e vem para cá
roubar a igreja.
PADRE – Ave- Maria! Valha-me Nossa Senhora!
BISPO - Quem é Severino do Aracaju?
SACRISTÃO - Um cangaceiro, um homem horrível.
BISPO, à mulher. - Chame a polícia.
MULHER - A polícia correu.
BISPO - Correu?
MULHER - E então? Informaram-se por onde ele vinha e saíram exatamente
pelo outro lado.
BISPO - Ave-Maria! Valha-me Nossa Senhora!
MULHER - Ai! meu Deus!
PADEIRO - Ai! meu Deus!
PADRE - E será verdade mesmo? Onde está Severino?
SEVERINO, aparecendo - Aqui.
BISPO, desmaiando - Ai!
JOÃO GRILO - Que grande administrador!
SEVERINO - Um
momento, ninguém corra.
O primeiro que tentar fugir, morre. O que é isso que
está aí deitado, é algum cônego?
BISPO, abrindo os olhos, cioso do posto - Bispo.
SEVERINO - Ótimo. Nunca tinha matado um bispo, o senhor vai ser
o primeiro.
BISPO, desmaiando - Ai!
SEVERINO, dando-lhe um pontapé - Levante-se e
deixe de chamego.
Xilique comigo não pega.
(O Bispo levanta-se
vagarosamente.) Vossa Reverendíssima vai-me desculpar, mas deixe ver os
bolsos.
BISPO - Não tenho nada, o capitão compreende...
SEVERINO, cortante - Mesmo
assim eu quero
ver. E deixe
de me chamar de capitão, que eu não gosto.
BISPO - E como hei de chamá-lo então?
SEVERINO - Severino, que é meu nome de batismo.
PADRE - É que nós
não temos coragem
de chamar uma pessoa tão importante de Severino.
SEVERINO - Isso tudo é porque quem está com o rifle sou eu.
Se fosse qualquer um de vocês, eu era chamado era de Biu. Deixem de conversa, que isso comigo não
vai. Mostre os bolsos. (Tirando o dinheiro.) Seis contos! Mas
é possível? Já
vi que o
negócio de reza
está prosperando por aqui.
JOÃO GRILO - Depois
que se começou a
enterrar cachorro então, faz gosto!
SEVERINO - E tudo isto foi para se enterrar um cachorro?
JOÃO GRILO - Foi.
SEVERINO - Nesse
caso o padre
deve ter também
alguma coisa para seu amigo
Severino.
PADRE - Tenho,
não vou negar.
Aqui estão dois
contos, Senhor Severino. É
o que posso
lhe dar,
no momento.
SEVERINO, irônico - É
mesmo, padre? Não
é possível! Numa
terra em que o
bispo tem seis
contos, o padre
deve ter no mínimo
uns três. (Severo.)
Deixe ver os
bolsos. Olhe lá, eu
não disse? Fazendo
jogo sujo, hem, padre?
Quem diria, um
ministro de Deus!
Enfim, isso é um
fim de mundo.
E o sacristão,
que é que me diz disso tudo?
SACRISTÃO - Só tenho a lamentar minha pobreza, não me
permite ajudar os amigos.
SEVERINO - Mais pobre
do
que Vossa Senhoria
é Severino do Aracaju, que não tem ninguém por ele, a
não ser seu velho e pobre
papo-amarelo. Mas mesmo
assim eu quero ajudá-lo,
porque Vossa Senhoria
é meu amigo. (Tirando
o dinheiro.) Três
contos! Estou quase pensando
em deixar o
cangaço. Eu deixava vocês
viverem, o bispo
demitia o sacristão
e me nomeava no
lugar dele. Com
mais uns cinqüenta cachorros que
se enterrassem, eu me aposentava. (Sonhador.) Podia
comprar uma terrinha
e ia criar meus bodes. Umas quatro ou cinco
cabeças de gado e podia-se viver
em paz e
morrer em paz,
sem nunca mais ouvir falar no velho papo-amarelo.
BISPO - Mas é uma grande ideia, Severino.
SEVERINO - É uma grande
ideia agora, porque
a polícia fugiu. Mas
ela volta com
mais gente e
eu não dava
três dias para o
senhor bispo fazer
o enterro do
novo sacristão.
AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 104, 105, 106, 107, 108;
Exercícios
01. Cite as críticas às instituições presentes no fragmento.
02. Suassuna critica a estrutura dessas instituições?
03. Nos textos de Ariano Suassuna, encontram-se personagens capazes de sugerir soluções inteligentes e criativas. Como se percebe nesse fragmento a perspicácia de Severino?
GABARITO:
01. Os representantes do clero são caracterizados como fracos e dissimulados, e os da polícia, como covardes.
02. Como Gil Vicente, Suassuna parece investir com mais força contra os representantes dessas instituições do que contra sua estrutura propriamente dita.
03. Por sua argumentação, que cria armadilhas para seus interlocutores.
II. Auto da Compadecida, Ariano Suassuna
JOÃO GRILO: E quem foi que disse que nós já fomos julgados pela justiça?
PADRE: Você mesmo ouviu Nosso Senhor dizer que a situação era difícil.
JOÃO GRILO: E difícil quer dizer sem jeito? Sem jeito!
Sem jeito por quê? Vocês são uns pamonhas, qualquer
coisa estão arriando. Não vê que tiveram tudo na terra? Se
tivessem tido que aguentar o rojão de João Grilo, passando fome e comendo macambira na seca, garanto que tinham mais coragem. Quer ver eu dar um jeito nisso, Padre
João?
PADRE: Quero, Joca.
JOÃO GRILO: Agora é Joca, hem? E você, Senhor Bispo?
BISPO: Eu também, João.
JOÃO GRILO: Padeiro?
PADEIRO: Veja o que pode fazer, João.
JOÃO GRILO: Severino? Mulher e cabra?
MULHER: Nós também. Nossa esperança é você
[...]
JOÃO GRILO: Um momento, Senhor. Posso dar uma palavra?
MANUEL: Você o que é que acha, minha mãe?
A COMPADECIDA: Deixe João falar.
MANUEL: Fale, João.
JOÃO GRILO: Os cinco últimos lugares do purgatório estão desocupados?
MANUEL: Estão.
JOÃO GRILO: Pegue esses cinco camaradas e bote lá.
AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 167; 168; 181
Exercícios
01. UEAP/2014
As ações descritas na cena teatral caracterizam bem o protagonista da peça que
(A) busca, com sua esperteza, dar crédito aos argumentos do Bispo, por meio de chistes e piadas.
(B) recorre, a cada novo conflito vivido por ele e o Padeiro, seu patrão, ao expediente de invocar a Compadecida.
(C) aparece subvertendo papéis, passando de oprimido a salvador dos seus opressores.
(D) renuncia completamente à ordem, ficando na plena marginalidade por suas escolhas de esferas categóricas.
02. UEAP/2014
Um auto é uma peça teatral – gênero dramático – marcado pela presença da alegoria. Frequentemente, é de inspiração religiosa e moralizante. No trecho citado, e em toda a peça, personagens como Manuel e Compadecida são construídos para
(A) retratar o sentimento religioso do nordestino, numa visão iconoclasta.
(B) expressar uma religiosidade simples e humanizada, mais próxima do povo.
(C) exaltar o sentimento da justiça divina ao contemplar os simples e puros de coração.
(D) denunciar o clero católico que, ávido por riquezas, deixa de cumprir a doutrina romana.
03. UEAP/2014
A peça Auto da Compadecida apresenta, estruturalmente, quinze personagens, e entre estas o Palhaço, usado como
(A) figura que mente, solícita e eficazmente, para praticar com esmero as artimanhas de João Grilo.
(B) tipo de representação do covarde, do mentiroso inofensivo e de fé inabalável.
(C) pessoa que engana, na retórica popular e na tradição do jeitinho brasileiro, do patrão ao padre.
(D) elemento de ligação na trama, por meio de suas peripécias e artimanhas.
AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 167; 168; 181
Exercícios
01. UEAP/2014
As ações descritas na cena teatral caracterizam bem o protagonista da peça que
(A) busca, com sua esperteza, dar crédito aos argumentos do Bispo, por meio de chistes e piadas.
(B) recorre, a cada novo conflito vivido por ele e o Padeiro, seu patrão, ao expediente de invocar a Compadecida.
(C) aparece subvertendo papéis, passando de oprimido a salvador dos seus opressores.
(D) renuncia completamente à ordem, ficando na plena marginalidade por suas escolhas de esferas categóricas.
02. UEAP/2014
Um auto é uma peça teatral – gênero dramático – marcado pela presença da alegoria. Frequentemente, é de inspiração religiosa e moralizante. No trecho citado, e em toda a peça, personagens como Manuel e Compadecida são construídos para
(A) retratar o sentimento religioso do nordestino, numa visão iconoclasta.
(B) expressar uma religiosidade simples e humanizada, mais próxima do povo.
(C) exaltar o sentimento da justiça divina ao contemplar os simples e puros de coração.
(D) denunciar o clero católico que, ávido por riquezas, deixa de cumprir a doutrina romana.
03. UEAP/2014
A peça Auto da Compadecida apresenta, estruturalmente, quinze personagens, e entre estas o Palhaço, usado como
(A) figura que mente, solícita e eficazmente, para praticar com esmero as artimanhas de João Grilo.
(B) tipo de representação do covarde, do mentiroso inofensivo e de fé inabalável.
(C) pessoa que engana, na retórica popular e na tradição do jeitinho brasileiro, do patrão ao padre.
(D) elemento de ligação na trama, por meio de suas peripécias e artimanhas.
GABARITO
01.C
02.D
03.B
EXERCÍCIOS SOBRE SUJEITO E PREDICADO
Para a gramática tradicional uma oração apresenta basicamente o sujeito e o predicado, pois em toda a oração é fundamental existir um termo sobre o qual se afirma algo e aquilo que se enuncia sobre ele.
Exercícios
01. Na frase: " Os cadernos verdes estavam sobre a cama", o sujeito se classifica como?
a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente
02. Na frase: "Foram convocados todos os candidatos da lista de espera" , o sujeito se classifica como?
a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente
03. Na frase: "Fizeram dois anos ontem meu minha filha e meu sobrinho" , o sujeito se classifica como?
a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente
04. Na frase: "Já não se acredita em milagres" , o sujeito se classifica como?
a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente
05. Na frase: "Pode chover menos amanhã" , o sujeito se classifica como?
a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente
06. Na frase: " Choveram críticas ao jornal de ontem" , o sujeito se classifica como?
a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente
07. Na frase: " Já basta de mentiras" , o sujeito se classifica como?
a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente
08. Na frase: " Viste o mar azul de hoje?" , o sujeito se classifica como?
a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente
09. Sobre a classificação do predicado, é incorreto afirmar:
a) Quando núcleo do predicado for um nome (adjetivo ou substantivo), ele será chamado de predicado nominal. O predicado nominal é composto por um verbo de ligação e um predicativo do sujeito.
b) Quando o núcleo do predicado for um verbo, esse predicado será chamado de predicado verbal.
c) O predicado verbo-nominal assim é chamado por ser resultado da fusão de um predicado verbal com um predicado nominal.
d) No predicado-verbo nominal, o núcleo nominal apenas poderá ser representado pelo predicativo do objeto.
10. "O sol entra cada dia mais tarde, pálido, fraco, oblíquo." "O sol brilhou um pouquinho pela manhã". Pela ordem, os predicados das orações acima classificam-se como:
a) nominal e verbo-nominal
b) verbal e nominal
c) verbal e verbo-nominal
d) verbo-nominal e nominal
e) verbo-nominal e verbal
11. Classifique os tipos de predicado nos enunciados abaixo:
a) Ricardo chegou cansado.
b) O filme foi emocionante
c) Chove bastante na minha região.
d) O professor já corrigiu as provas.
e) Os excursionistas chegaram cansados.
f) Come-se com fartura em sua casa.
g) Todos ficaram quietos.
h) O ônibus saiu atrasado.
i) A taxa de mortalidade infantil está elevada.
12. Assinale a sequência correta quanto à classificação dos predicados das orações a seguir:
I. Ela chegou à festa.
II. Os moradores estavam revoltados.
III. Ele encontrou os amigos no bar.
IV. Os estudantes protestaram nervosos contra a corrupção.
V. Ela ficou aflita com a sua demora.
a) verbo-nominal, ; nominal; nominal; verbal; predicativo do objeto.
verbal
b) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; nominal.
c) verbal; predicativo do objeto; nominal; nominal; verbo-nominal.
d) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; verbal.
13. Sobre os enunciados abaixo, pode-se afirmar que:
I. Milena está adoentada.
II. Milena está no hospital.
a) O predicado é verbal em I e II.
b) O predicado é nominal em I e II.
c) O predicado é verbo-nominal em I e II.
d) O predicado é verbal em I e nominal em II.
e) O predicado é nominal em I e verbal em II.
14. "Éramos três velhos amigos na praia quase deserta". O sujeito desta oração é:
a) subtendido
b) claro, composto e determinado.
c) indeterminado.
d) inexistente.
e) claro, simples e determinado.
GABARITO:
01. a) Sujeito simples
02. a) Sujeito simples
03. b) Sujeito composto
04. d) Sujeito indeterminado
05. e) Sujeito inexistente
06. a) Sujeito simples
07. e) Sujeito inexistente
08. c) Sujeito oculto
09. d)
No predicado-verbo nominal, o núcleo nominal poderá ser representado pelo predicativo do objeto e também pelo predicativo do sujeito.
10. e) verbo-nominal e verbal
11.
a) verbo-nominal
b) nominal
c) verbal
d) verbal
e) verbo-nominal
f) verbal
g) nominal
h) verbo-nominal
i) nominal
12) b) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; nominal.
13) e) O predicado é nominal em I e verbal em II.
14) e) claro, simples e determinado.
domingo, 18 de dezembro de 2016
DOM CASMURRO - MACHADO DE ASSIS- EXERCÍCIOS
EXERCÍCIOS
1. (FUVEST / GV) O meu fim evidente era
atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois,
senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui.
É o que diz o
narrador no segundo capítulo do romance Dom Casmurro. Afinal por que não teria
ele alcançado o seu intento?
(A) Pelas
dificuldades inerentes à estrutura do romance, na recuperação de outros tempos.
(B) Pelo
receio de confessar suas fraquezas e a traição sofrida.
(C) Porque
era impossível recuperar o sentido daquele período, pois ele já não era a mesma
pessoa.
(D) Pela
falta de bom senso e de clareza na apreensão das lembranças.
(E) Porque o
tempo, impiedoso, apaga todos os acontecimentos e transforma as pessoas.
2. (UFL)
Todas as alternativas apresentam informações sobre Dom Casmurro, de Machado de Assis,
exceto:
(A) A questão
do adultério, tratada de forma ambígua pelo autor, permanece em aberto no fim
da narrativa.
(B) O
narrador, através do exercício da memória, busca ligar o presente ao passado, a
velhice à adolescência.
(C) O
narrador protagonista, ao assumir a primeira pessoa, apresenta uma visão
tendenciosa dos acontecimentos.
(D) O autor,
introduzindo-se na narrativa, fornece ao leitor informações que contradizem as
opiniões do narrador.
(E) A
narrativa, marcada pela ironia, mantém uma relação intersexual com a tragédia
Otelo, de Shakespeare.
3. (UFU-MG)
Considere a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, e as afirmativas que se
seguem:
I. Da Glória
tentava impedir o casamento de Bentinho com Capitu, pois desejava que ele se
unisse a Sancha.
II. Bento
Santiago não teve problemas em homenagear o amigo Escobar, por ocasião de seu
enterro, pois era seu melhor amigo.
III. A cena
descrita no velório de Escobar (homens e mulheres chorando) é uma
característica do Romantismo presente em todo o Dom Casmurro — obra que tem
como tema os infelizes amores de Bentinho e Capitu.
IV. “Olhos de
ressaca” — referência dada a Capitu — evidencia o seu poder de envolvimento e o
grande fascínio que ela exerce sobre Bentinho, tal qual as vagas do mar.
V. Apesar da
suspeita de adultério, o amor consegue superar a desconfiança fazendo com que
Bentinho se reconcilie com a família de Capitu.
Assinale:
(A) Se apenas
IV é correta.
(B) Se apenas
I, II são corretas.
(C) Se apenas
III e V são corretas.
(D) Se apenas V é correta.
(E) Nenhuma delas é correta.
4. (PUCCAMP-SP) O trecho abaixo é
parte do último capítulo de Dom Casmurro, de Machado de Assis:
O resto é saber se a Capitu da Praia
da Glória já estava dentro da de Mata-cavalos, ou se esta foi mudada naquela
por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos
meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. I: “Não tenhas
ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que
aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras
bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a
fruta dentro da casca.
Invocando aqui a memória e o
testemunho do leitor de sua história, o narrador arremata a narrativa:
(A) lembrando que os ciúmes de
Bentinho por Capitu poderiam perfeitamente ser injustificáveis.
(B) concluindo que a única explicação
para a traição de Capitu é a força caprichosa de circunstâncias acidentais.
(C) citando uma passagem da Bíblia, à
luz da qual acaba admitindo a possibilidade da inocência de Capitu.
(D) pretendendo que a personalidade de
Capitu tenha se desenvolvido de modo a cumprir uma natural inclinação.
(E) se mostra reticente quanto à
convicção de que fora traído, sugerindo que continuará ponderando os fatos.
5. (PUC-PR) Com base na leitura de Dom
Casmurro, e considerando a importância de Machado de Assis para a literatura
brasileira, identifique as alternativas como VERDADEIRAS ou FALSAS:
( ) Escrito quando o Realismo era a
estética dominante, Dom Casmurro é antes um “romance filosófico” que um
“romance social”.
( ) Ao contrário de diversas heroínas
românticas, punidas com a morte por comportamentos inadequados para os padrões
de sua época, a principal personagem feminina de Dom Casmurro não morre no
final da narrativa.
( ) Ainda que acreditasse não ser pai
de Ezequiel, Bento Santiago não deixou que isso interferisse na relação
pai-filho, e sempre quis ter o rapaz muito perto de si.
( ) Assim como em Esaú e Jacó, a
presença do Imperador e as referências à vida política brasileira são
constantes em Dom Casmurro e interferem nos acontecimentos narrados.
A seqüência correta é:
(A) V, F, F, F
(B) F, F, F, V
(C) F, V, F, V
(D) V, V, V, F
(E) F, V, F, F
6. (UFPR) A
propósito de Dom Casmurro, de Machado de Assis, é correto afirmar:
(A) A
narrativa de Bento Santiago é comparável a uma acusação: aproveitando sua
formação jurídica, o narrador pretende configurar a culpa de Capitu.
(B) O
artifício narrativo usado é a forma de diário, de modo que o leitor receba as
informações do narrador à medida que elas acontecem, mantendo-se assim a
tensão.
(C) Elegendo
a temática do adultério, o autor resgata o romantismo de seus primeiros
romances, com personagens idealizadas entregues à paixão amorosa.
(D) O espaço
geográfico e social representado é situado em uma província do Império,
buscando demonstrar que as mazelas sociais não são prerrogativa da Corte.
(E) Bentinho
desejava a morte de Escobar (até tentou envenená-lo uma vez), a ponto de se
sentir culpado quando o ex-amigo morreu afogado.
7. (FUVEST)
Podemos afirmar que na obra D. Casmurro, Machado de Assis:
(A) defende a
tese de que o meio determina o homem porque descreve a personagem Capitu desde
o início como uma futura adúltera.
(B) defende a
tese determinista porque o meio em que Bentinho e Capitu vivem determina a
futura tragédia.
(C) não
defende a tese determinista, apontando antagonismo entre o meio e a tragédia
final.
(D) defende a
tese determinista ao demonstrar a influência da educação religiosa na formação
de Capitu.
(E) não
defende a tese determinista de modo explícito porque não fica clara a relação
entre o meio e o fim trágico dos personagens.
8. (Conc.
Federal) Machado de Assis, em Dom Casmurro, mostra Capitu como personagem de
maior destaque. Bentinho nutria, em relação a ela, sentimentos de
(A) profunda
admiração e respeito.
(B) amor
desmedido.
(C)
verdadeira veneração de ordem espiritual.
(D) ciúme
exacerbado, raiando os limites de doença mental.
(E) nenhuma
admiração ou respeito.
9. (UFPR) No
segundo capítulo de Dom Casmurro, o narrador-personagem expõe as razões que o
levaram a escrever suas memórias.
Relacionando
esse capítulo com o romance, é correto afirmar que, ao procurar "atar as
duas pontas da vida", Bentinho:
(A) obtém um
relato lúcido e imparcial a respeito do seu passado, vencendo os preconceitos
característicos da classe a que pertencia, uma vez que, tendo sido, ele mesmo,
vítima de um universo social baseado na rigorosa autoridade paternal, pôde, ao
final da vida, avaliar o preço alto da solidão.
(B) reconhece
seu fracasso, apontando as lacunas de "um livro falho" próprio narrador
que, apesar de todo o esforço empreendido para incriminar sua mulher,
compromete a si mesmo, distorcendo as circunstâncias que o envolvem.
(C)
reconcilia-se com o seu passado e consigo mesmo, mostrando-se arrependido por
ter sido injusto e extremamente cruel, nos seus julgamentos e atitudes, em
relação às pessoas que mais amara: não apenas diante de Capitu e Escobar, mas,
principalmente, em relação a Ezequiel.
(D) convence
o leitor de que Capitu foi de fato infiel. Os argumentos apresentados pelo narrador
são suficientes para fundamentar as vagas impressões de um homem que, apesar de apegado aos valores tradicionais da família
patriarcal brasileira do final do século XIX, compreende a independência de
espírito de sua mulher.
(E) não consegue convencer o leitor de
que Capitu é infiel. Os argumentos apresentados pelo narrador não são
suficientes para fundamentar as vagas impressões de um homem que, apesar de
apegado aos valores tradicionais da família patriarcal brasileira do final do
século XIX, compreende a independência de espírito de sua mulher.
10. (PUC-Rio) A EXPOSIÇÃO
RETROSPECTIVA
Já sabes que a minha alma, por mais
lacerada que tenha sido, não ficou aí para um canto como uma flor lívida e
solitária. Não lhe dei essa cor ou descor. Vivi o melhor que pude sem me
faltarem amigas que me consolassem da primeira. Caprichos de pouca dura, é
verdade. Elas é que me deixavam como pessoas que assistem a uma exposição
retrospectiva, e, ou se fartam de vê-la, ou a luz da sala esmorece. Uma só
dessas visitas tinha carro à porta e cocheiro de libré. As outras iam
modestamente, calcante pede, e, se chovia, eu é que ia buscar um carro de
praça, e as metia dentro, com grandes despedidas, e maiores recomendações.(...)
E BEM, E O RESTO?
Agora, por que é que nenhuma dessas
caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque
nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas
não é propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da
Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por
efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus
primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, ver. 1: “Não tenhas ciúmes de
tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de
ti.” Mas eu creio que não. E tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu
menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro
da casca. E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das
sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior
amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem
juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve! (...)
O trecho em questão pertence à
antológica obra de Machado de Assis:
(A) Memórias póstumas de Brás Cubas
(B) Dom Casmurro
(C) Memorial de Aires
(D) Quincas Borba
(E) Senhora
11. (UEL/PR)
O texto abaixo é o último capítulo do
romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.
Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a
primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca,
nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é esse propriamente o resto do
livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de
Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente.
Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como
no seu cap. IX, vers. 1: "Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não
se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti". Mas eu creio que
não, e tu concordarás comigo;
se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da
outra, como a fruta dentro da casca.
E bem, qualquer que seja a solução, uma
coisa fica, e é a suma das sumas, ou resto dos restos, a saber, que a minha
primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também,
quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A Terra lhes seja
leve! Vamos à História dos subúrbios. Pela leitura do texto, é correto afirmar
que, depois de contar a história da sua vida e do seu amor por Capitu,
Bentinho, o narrador:
(A) Conclui
que Capitu não o traiu.
(B) Buscando
conforto na Bíblia, chega à conclusão de que, apesar de Capitu o ter traído,
ele deveria perdoar-lhe e não sentir ciúmes dela.
(C) Não tem
certeza de que Capitu o traiu, embora acredite que ela tenha se transformado
muito desde a adolescência, aparecendo quando adulta como uma cigana traiçoeira
e dissimulada.
(D) Chega à
conclusão de que Capitu já possuía, quando menina, os traços psicológicos que a
caracterizariam na fase adulta.
(E) Constata
que Capitu e seu amigo José Dias mantinham um romance desde a adolescência.
Gabarito:
1 – C; 2-D;
3-A; 4- D; 5-A; 6-A; 7-E; 8-D; 9-B; 10-B. 11-D
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
POESIA CONCRETA
O Concretismo foi lançado na I Exposição Nacional de Arte concreta, que se realizou em São Paulo (1956) e no Rio de Janeiro (1957).
A
poesia concreta é aquela que valoriza mais a linguagem visual do que a
linguagem verbal. Os versos e estrofes, características tão marcante no poema,
deixam de ser fundamentais; o espaço passa a ser explorado e a forma como as palavras
e as letras são colocadas no papel faz com que surja um novo significado. Este
movimento surgiu, oficialmente, em 1956, com a Exposição de Arte Concreta, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo.. Os principais poetas que deram início
a este novo estilo foram Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio
Pìgnatari. Veja o poema abaixo:
A poesia concreta sugere a eliminação do verso tradicional como elemento
fundamental do poema, para dar maior realce aos aspectos verbais, sonoros e
visuais da palavra. Em vez de apresentar as palavras em sequência, como nos
versos tradicionais, propõe sua distribuição no papel de modo criativo e não linear,
explorando, assim, a camada material do significante, isto é, o som, a forma, o
tamanho da palavra, a disposição geométrica dos vocábulos na página; surge o poema-objeto.
CARACTERÍSTICAS
a.
Rejeita o verso e a sintaxe tradicionais,
b.
Aboliu a linearidade, o texto discursivo,
c.
As letras e palavras distribuem-se em todo o
espaço da folha, criando novas sugestões.
O concretismo é um marco revolucionário na poesia brasileira
da segunda metade do século XX. Contestando-o parcialmente, mas seguindo as
trilhas abertas no sentido da libertação das formas, seguiram-se três
movimentos: o Neoconcretismo, a Poesia-Práxis e o Poema Processo.
A) Neoconcretismo:
Foi um movimento artístico surgido no Rio de Janeiro, em fins de 1950, como reação ao concretismo ortodoxo. Os neoconcretistas procuravam novos caminhos dizendo que a arte não é um mero objeto: tem sensibilidade, expressividade, subjetividade, indo muito além do mero geometrismo puro
B) Poesia-Práxis:
Surge de uma dissidência no grupo concretista, em fins dos anos 50, mas só em 1961 lançaria seu Manifesto Didático, assinado por Mário Chamie.
O texto-práxis valoriza a palavra dentro de um contexto extralinguístico, caracterizado pela "periodicidade e repeitção das palavras, cujo sentido e direção mudam", conforme sua posi~ção no texto. Para o poeta " a palavra é uma célula viva do discurso".
Os poetas Yone Giannetti Fonseca, Armando Freitas e Antônio Carlos Cabral filiaram-se ao grupo práxis.
C) Poema Processo:
É representativo de uma vanguarda lançada em 1968. Caracteriza-se mais como uma arte gráfica do que literária: a palavra dá lugar a símbolos gráficos.a preocupação com a sugestão poética cede espaço a uma aproximação com os recursos empregados na comunicação de massa.
Waldemir Dias Pinto é precursor do conceito de versão que mais tarde seria desenvolvido pelo Poema-Processo.
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A) Neoconcretismo:
Foi um movimento artístico surgido no Rio de Janeiro, em fins de 1950, como reação ao concretismo ortodoxo. Os neoconcretistas procuravam novos caminhos dizendo que a arte não é um mero objeto: tem sensibilidade, expressividade, subjetividade, indo muito além do mero geometrismo puro
B) Poesia-Práxis:
Surge de uma dissidência no grupo concretista, em fins dos anos 50, mas só em 1961 lançaria seu Manifesto Didático, assinado por Mário Chamie.
O texto-práxis valoriza a palavra dentro de um contexto extralinguístico, caracterizado pela "periodicidade e repeitção das palavras, cujo sentido e direção mudam", conforme sua posi~ção no texto. Para o poeta " a palavra é uma célula viva do discurso".
Os poetas Yone Giannetti Fonseca, Armando Freitas e Antônio Carlos Cabral filiaram-se ao grupo práxis.
C) Poema Processo:
É representativo de uma vanguarda lançada em 1968. Caracteriza-se mais como uma arte gráfica do que literária: a palavra dá lugar a símbolos gráficos.a preocupação com a sugestão poética cede espaço a uma aproximação com os recursos empregados na comunicação de massa.
Waldemir Dias Pinto é precursor do conceito de versão que mais tarde seria desenvolvido pelo Poema-Processo.
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