terça-feira, 15 de outubro de 2019

PARNASIANISMO, EXERCICIOS COM GABARITO

O Parnasianismo é a expressão poética do Realismo.


1. (FUVEST SP) – Leia com atenção:

Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso,
O palácio imperial se pórfiro luzente
E mármor da Lacônia. O teto caprichoso
Mostra, em prata incrustado, o nácar do Oriente.

O texto acima é a primeira estrofe do soneto “A Sesta de Nero”, de Olavo Bilac.

a) A que “escola literária” ou estilo de época pertence  autor? Justifique a resposta com elementos de texto.
b) Cite outro poema do autor.

2. (FUND. UNIV. RIOGRANDE) – Marque a alternativa correta.
a) O Parnasianismo caracterizou-se, no Brasil, pela busca da perfeição formal na poesia.
b) O Parnasianismo determinou o surgimento de obras de tom marcadamente coloquial.
c) O Parnasianismo, por seus poetas, preconizava o uso do verso livre.
d) O Parnasianismo brasileiro deu ênfase ao experimentalismo formal.
e) O Parnasianismo foi o responsável pela afirmação de uma poesia de caráter sugestivo e musical.

3. (CEFET-PR)

E sobre mim, silenciosa e triste,
A Via-Láctea se desenrola
Como um jarro de lágrimas ardentes
(Olavo Bilac)

Sobre o fragmento poético não é correto afirmar:

a)  A “Via-Láctea” sofre um processo de personificação.
b)  A cena é descrita de modo objetivo, sem interferência da subjetividade do eu-poético.
c)  A opção pelos sintagmas “desenrola” e “jarro de lágrimas ardente” visa a presentificar o movimento dos astros.
d)   Há predomínio da linguagem figurada e descritiva.
e)  A visão de mundo melancólica do emissor da mensagem se projeta sobre o objeto poetizado.

4. (PUCCAMP)

 O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que a ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre;
E cada cicatriz brilha como um brasão.
O ângelo plange ao longe em doloroso dobre.
O último ouro do sol morre na cerração.
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crepúsculo cai como uma extrema-unção.

Podemos reconhecer nas estrofes acima, de Olavo Bilac, as seguintes características do estilo de época que marcou sua poesia:

a) Interesse pela descrição pormenorizada da paisagem, numa linguagem que procura impressionar os sentidos.
b) Uso do vocabulário próprio para acentuar o mistério, a realidade oculta das coisas, que deve ser sugerida por meio de símbolos.
c)   Valorização do passado histórico, em busca da definição da nacionalidade brasileira.
d) Utilização exagerada de hipérboles, perífrases e antíteses, no desejo de não nomear diretamente as coisas, mas de fazer alusão a elas.
e) Busca de imagens naturais e vocabulário simples, predileção pelo verso branco e negação de inversões sintáticas.

5. (Unesp- SP)
Os parnasianos brasileiros se distinguem dos românticos pela atenuação da subjetividade e do sentimenta­lismo, pela ausência quase completa de interesse político no contexto da obra e pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico. 
(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.) 

A referida “atenuação da subjetividade e do sentimentalismo” está bem exemplificada na seguinte estrofe do poeta parnasiano Alberto de Oliveira (1859-1937):
a) Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nem uma lágrima Em pálpebra demente.
b) Erguido em negro mármor luzidio, Portas fechadas, num mistério enorme, Numa terra de reis, mudo e sombrio, Sono de lendas um palácio dorme.
c) Eu vi-a e minha alma antes de vê-la Sonhara-a linda como agora a vi; Nos puros olhos e na face bela, Dos meus sonhos a virgem conheci.
d) Longe da pátria, sob um céu diverso Onde o sol como aqui tanto não arde, Chorei saudades do meu lar querido – Ave sem ninho que suspira à tarde. –
e) Eu morro qual nas mãos da cozinheira O marreco piando na agonia... Como o cisne de outrora... que gemendo Entre os hinos de amor se enternecia.




GABARITO

1. a) Olavo Bilac pertence ao Parnasianismo, o que se pode identificar pela referência à cultura grega, conforme se depreende do trecho "e mármor da Lacônia", uma região da Grécia.
b) , A um poeta, Profissão de fé, A pátria, Última flor do Lácio, O caçador de esmeralda etc.
2. a) O Parnasianismo caracterizou-se, no Brasil, pela busca da perfeição formal na poesia.
3 .b)  A cena é descrita de modo objetivo, sem interferência da subjetividade do eu-poético.
4.b) Uso do vocabulário próprio para acentuar o mistério, a realidade oculta das coisas, que deve ser sugerida por meio de símbolos.
5.b) Erguido em negro mármor luzidio, Portas fechadas, num mistério enorme, Numa terra de reis, mudo e sombrio, Sono de lendas um palácio dorme.

CONTO DE NATAL, RUBEM BRAGA


Conto de Natal

Sem dizer uma palavra, o homem deixou a estrada andou alguns metros no pasto e se deteve um instante diante da cerca de arame farpado. A mulher seguiu-o sem compreender, puxando pela mão o menino de seis anos.

— Que é?

O homem apontou uma árvore do outro lado da cerca. Curvou-se, afastou dois fios de arame e passou. O menino preferiu passar deitado, mas uma ponta de arame o segurou pela camisa. O pai agachou-se zangado:

— Porcaria…

Tirou o espinho de arame da camisinha de algodão e o moleque escorregou para o outro lado. Agora era preciso passar a mulher. O homem olhou-a um momento do outro lado da cerca e procurou depois com os olhos um lugar em que houvesse um arame arrebentado ou dois fios mais afastados.

— Péra aí…

Andou para um lado e outro e afinal chamou a mulher. Ela foi devagar, o suor correndo pela cara mulata, os passos lerdos sob a enorme barriga de 8 ou 9 meses.

— Vamos ver aqui…

Com esforço ele afrouxou o arame do meio e puxou-o para cima.

Com o dedo grande do pé fez descer bastante o de baixo.

Ela curvou-se e fez um esforço para erguer a perna direita e passá-la para o outro lado da cerca. Mas caiu sentada num torrão de cupim!

— Mulher!

Passando os braços para o outro lado da cerca o homem ajudou-a a levantar-se. Depois passou a mão pela testa e pelo cabelo empapado de suor.

— Péra aí…

Arranjou afinal um lugar melhor, e a mulher passou de quatro, com dificuldade. Caminharam até a árvore, a única que havia no pasto, e sentaram-se no chão, à sombra, calados.

O sol ardia sobre o pasto maltratado e secava os lameirões da estrada torta. O calor abafava, e não havia nem um sopro de brisa para mexer uma folha.

De tardinha seguiram caminho, e ele calculou que deviam faltar umas duas léguas e meia para a fazenda da Boa Vista quando ela disse que não agüentava mais andar. E pensou em voltar até o sítio de «seu» Anacleto.

— Não…

Ficaram parados os três, sem saber o que fazer, quando começaram a cair uns pingos grossos de chuva. O menino choramingava.

— Eh, mulher…

Ela não podia andar e passava a mão pela barriga enorme. Ouviram então o guincho de um carro de bois.

— Oh, graças a Deus…

Às 7 horas da noite, chegaram com os trapos encharcados de chuva a uma fazendinha. O temporal pegou-os na estrada e entre os trovões e relâmpagos a mulher dava gritos de dor.

— Vai ser hoje, Faustino, Deus me acuda, vai ser hoje.

O carreiro morava numa casinha de sapé, do outro lado da várzea. A casa do fazendeiro estava fechada, pois o capitão tinha ido para a cidade há dois dias.

— Eu acho que o jeito…

O carreiro apontou a estrebaria. A pequena família se arranjou lá de qualquer jeito junto de uma vaca e um burro.

No dia seguinte de manhã o carreiro voltou. Disse que tinha ido pedir uma ajuda de noite na casa de “siá” Tomásia, mas “siá” Tomásia tinha ido à festa na Fazenda de Santo Antônio. E ele não tinha nem querosene para uma lamparina, mesmo se tivesse não sabia ajudar nada. Trazia quatro broas velhas e uma lata com café.

Faustino agradeceu a boa-vontade. O menino tinha nascido. O carreiro deu uma espiada, mas não se via nem a cara do bichinho que estava embrulhado nuns trapos sobre um monte de capim cortado, ao lado da mãe adormecida.

— Eu de lá ouvi os gritos. Ô Natal desgraçado!

— Natal?

Com a pergunta de Faustino a mulher acordou.

— Olhe, mulher, hoje é dia de Natal. Eu nem me lembrava…

Ela fez um sinal com a cabeça: sabia. Faustino de repente riu. Há muitos dias não ria, desde que tivera a questão com o Coronel Desidério que acabara mandando embora ele e mais dois colonos. Riu muito, mostrando os dentes pretos de fumo:

— Eh, mulher, então “vâmo” botar o nome de Jesus Cristo!

A mulher não achou graça. Fez uma careta e penosamente voltou a cabeça para um lado, cerrando os olhos. O menino de seis anos tentava comer a broa dura e estava mexendo no embrulho de trapos:

— Eh, pai, vem vê…

— Uai! Péra aí…

O menino Jesus Cristo estava morto.



Conto de Natal, Rubem Braga, em: Nós e o Natal. Rio de Janeiro: Artes Gráficas Gomes de Souza, 1964



1) O registro da fala das personagens é predominantemente feito por meio do discurso direto. Observe todas as situações em que foi empregado esse discurso.

a) Até o nascimento do bebê quem predominante fala? 

b) Como se caracterizam as falas das personagens do conto?

c) No texto é mencionado uma fato que talvez possa explicar a “secura” das personagens. Qual é esse fato?

d) Na sequência de cada fala, há reprodução de resposta do interlocutor? O que isso sugere quanto ao relacionamento entre as personagens e a situação em que estão vivendo?
2) O texto mantém relações intertextuais explícitas com um episódio de outra história, muito conhecida na cultura ocidental.
a) Qual é essa história?
b) Que elementos do texto estabelecem relações intertextuais com essa outra história?
c) Assim como Cristo, o bebê morre prematuramente. Apesar disso, a morte dos dois é diferente. Como você interpreta assa diferença?


GABARITO
a) O pai
b) A maioria delas se constitui de falas breves, quase monossilábicas.
c) A demissão sofrida alguns dias antes do Faustino, que era colono na fazenda do coronel Desidério
d) Não. Sugere que quase não há comunicação ou interação entre elas pela linguagem.
2) O texto mantém relações intertextuais explícitas com um episódio de outra história, muito conhecida na cultura ocidental.
a) A história de Jesus
b)Um casal de pessoas simples segue pela estrada e a mulher dá à luz uma criança; o nascimento ocorre num lugar simples, num estábulo e entre animais.
c) RP

 

A palavra QUE - exercícios

As classificações da palavra que. Exercícios com gabarito.

1) Classifique a palavra que

a) Quê! Ela fez isso?
b) Que escola frequentas?
c) Que bom vê-la novamente, Deborah!
d) Sinto um quê de insatisfação.
e) Elisa tem um quê da mãe.
f) Que de boatos!
g) Quase que caí da escada.
h) São os homens que maltratam os animais.
i) Fui ao supermercado primeiro que tudo.
j) Que que é isso, rapaz?
k) Que aconteceu?
l) Ela me disse não sei o quê.

 



GABARITO

a) Interjeição - exprime sentimento; sempre acentuada.
b) pronome adjetivo interrogativo - acompanha o substantivo
c) advérbio de intensidade - modifica adjetivo bom
d) substantivo - geralmente precedido de artigo e sempre acentuado
e) substantivo - geralmente precedido de artigo e sempre acentuado.
f) pronome adjetivo indefinido = quantos boatos.
g) palavra expletiva   ou de  realce - pode ser retirada da oração sem prejuízo do sentido.
h) locução expletiva   ou de  realce - pode ser retirada da oração sem prejuízo do sentido e forma com o verbo ser a locução.
i) preposição - pode substituir-se por de
j) palavra expletiva   ou de  realce - pode ser retirada da oração sem prejuízo do sentido.
k) pronome substantivo interrogativo - substitui um substantivo
l)pronome substantivo indefinido - substitui um substantivo






sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

SUPRASSUMOS DA QUINTESSÊNCIA - Paulo Leminski - exercícios

Paulo Leminski – Suprassumos da quintessência

          O papel é curto.
Viver é comprido.
          Oculto ou ambíguo,
Tudo o que digo
          tem ultrassentido.

          Se rio de mim,
me levem a sério.
          Ironia estéril?
Vai nesse ínterim,
          meu inframistério.

(Paulo Leminski)

EXERCÍCIOS

01. Pela leitura, conclui-se que

A) o poeta fez uma brincadeira poética com as palavras suprasumos e quintessência, porque, seguindo o léxico da Língua Portuguesa, a primeira palavra deveria estar grafada: supra-sumos. Quintessência existe na Língua Portuguesa, é uma variante.

B) não há alteração quanto à grafia da palavra ultrasentido. Ela segue a regra do hífen em palavras com prefixo ultra, seguido de s, que devem ser escritas sem hífen. Por exemplo: ultrasonografia.

C) segundo o processo de formação das palavras, em quintessência ocorre uma composição por aglutinação, assim como ocorre o mesmo processo nas palavras aguardente e girassol. Quinta-essência significa "o que há de mais perfeito / o mais alto grau"

D) o prefixo da palavra inframistério significa "na parte inferior", "abaixo". Essa palavra está escrita incorretamente. O poeta optou pela omissão do hífen em todas as palavras com prefixos.

E) o verbo viver (2º verso), se viesse precedido do artigo o, passaria por um processo de formação de palavras, porque o artigo transformaria o verbo numa palavra substantivada. Assim como a palavra o combate, por exemplo, do verbo combater.

02. Destaque as antíteses do poema.

03. Na primeira estrofe, o poeta se refere à sua própria produção escrita:
a) Que metonímia representa seus textos escritos?
b) Destaque os adjetivos que se referem, direta ou indiretamente, à poesia.

04. O poeta acrescentou prefixos as palavras finais de cada estrofe, realçando-lhes o sentido.Que palavras são essas  e o que passaram a significar?

05. Levando em conta o título, esse é um poema para ser lido ironicamente? Por quê?




GABARITO
01. Letra A
02. “curto” x “comprido” – “rio” x “sério”
03. a) papel        b) “Oculto”, “ambíguo” e “ultrasentido”.
04. ”Ultrassentido”, “inframistério”.Significam o poder da poesia.
05. Sim, porque o título expressa e sintetiza os exageros  presentes no poema, conduzindo ao “ultrasentido” do poeta.



AUTO DA COMPADECIDA, Ariano Suassuna - exercícios


    Identificando-se com os nordestinos , Ariano Suassuna é o maior escritor do teatro popular.  Assume, categoricamente, a herança do teatro medieval português, nomeando como auto ou farsa alguns de seus textos. No Auto da Compadecida Nossa Senhora manifesta a sua misericórdia aos pobres.

I. Auto da Compadecida,  Ariano Suassuna

BISPO -  Que há? Que é isso? Que barulho!
MULHER - É  Severino  do  Aracaju,  que  entrou  na  cidade  com um cabra e vem para cá roubar a igreja.
PADRE – Ave- Maria! Valha-me Nossa Senhora!
BISPO - Quem é Severino do Aracaju?
SACRISTÃO - Um cangaceiro, um homem horrível.
BISPO, à mulher. - Chame a polícia.
MULHER - A polícia correu.
BISPO  - Correu?
MULHER - E então? Informaram-se por onde ele vinha e saíram exatamente pelo outro lado.
BISPO - Ave-Maria! Valha-me Nossa Senhora!
MULHER - Ai! meu Deus!
PADEIRO - Ai! meu Deus!
PADRE - E será verdade mesmo? Onde está Severino?
SEVERINO, aparecendo - Aqui.
BISPO, desmaiando - Ai!
JOÃO GRILO - Que grande administrador!
SEVERINO - Um   momento,   ninguém   corra.   O   primeiro   que tentar fugir, morre. O que é isso que está aí deitado, é algum cônego?
BISPO, abrindo os olhos, cioso do posto - Bispo.
SEVERINO - Ótimo. Nunca tinha matado um bispo, o senhor vai ser o primeiro.
BISPO, desmaiando -  Ai!
SEVERINO, dando-lhe um pontapé - Levante-se  e  deixe  de  chamego.  Xilique  comigo não   pega.   (O   Bispo   levanta-se   vagarosamente.) Vossa Reverendíssima vai-me desculpar, mas deixe ver os bolsos.
BISPO - Não tenho nada, o capitão compreende...
SEVERINO, cortante - Mesmo  assim  eu  quero  ver.  E  deixe  de  me  chamar de capitão, que eu não gosto.
BISPO - E como hei de chamá-lo então?
SEVERINO - Severino, que é meu nome de batismo.
PADRE - É  que  nós  não  temos  coragem  de  chamar  uma pessoa tão importante de Severino.
SEVERINO - Isso tudo é porque quem está com o rifle sou eu. Se fosse qualquer um de vocês, eu era chamado era de  Biu. Deixem de conversa, que isso comigo não vai. Mostre os bolsos. (Tirando o dinheiro.) Seis contos!  Mas  é  possível?  Já  vi  que  o  negócio  de  reza  está prosperando por aqui.

JOÃO GRILO - Depois  que se  começou  a  enterrar  cachorro  então, faz gosto!
SEVERINO - E tudo isto foi para se enterrar um cachorro?
JOÃO GRILO - Foi.
SEVERINO - Nesse  caso  o  padre  deve  ter  também  alguma  coisa para seu amigo Severino.
PADRE - Tenho,  não  vou  negar.  Aqui  estão  dois  contos, Senhor   Severino.   É   o   que   posso   lhe   dar,   no momento.
SEVERINO, irônico - É  mesmo,  padre?  Não  é  possível!  Numa  terra  em que  o  bispo  tem  seis  contos,  o  padre  deve  ter  no mínimo  uns  três.  (Severo.)  Deixe  ver  os  bolsos. Olhe  lá,  eu  não  disse?  Fazendo  jogo  sujo,  hem, padre?  Quem  diria,  um  ministro  de  Deus!  Enfim, isso  é  um  fim  de  mundo.  E  o  sacristão,  que  é  que me diz disso tudo?
SACRISTÃO - Só tenho a lamentar minha pobreza, não me permite ajudar os amigos.
SEVERINO - Mais  pobre  do  que  Vossa  Senhoria  é  Severino  do Aracaju, que não tem ninguém por ele, a não ser seu velho  e  pobre  papo-amarelo.  Mas  mesmo  assim  eu quero   ajudá-lo,   porque   Vossa   Senhoria   é   meu amigo.  (Tirando  o  dinheiro.)  Três  contos!  Estou quase  pensando  em  deixar  o  cangaço.  Eu  deixava vocês  viverem,  o  bispo  demitia  o  sacristão  e  me nomeava  no  lugar  dele.  Com  mais  uns  cinqüenta cachorros  que  se  enterrassem,  eu  me  aposentava. (Sonhador.)  Podia  comprar  uma  terrinha  e  ia  criar meus bodes. Umas quatro ou cinco cabeças de gado e  podia-se  viver  em  paz  e  morrer  em  paz,  sem nunca mais ouvir falar no velho papo-amarelo.
BISPO - Mas é uma grande ideia, Severino.
SEVERINO - É  uma  grande  ideia  agora,  porque  a  polícia  fugiu. Mas  ela  volta  com  mais  gente  e  eu  não  dava  três dias  para  o  senhor  bispo  fazer  o  enterro  do  novo sacristão.

 AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 104, 105, 106, 107, 108; 


Exercícios

01. Cite as críticas às instituições presentes no fragmento.
02. Suassuna critica a estrutura dessas instituições?
03. Nos textos de Ariano Suassuna, encontram-se personagens capazes de sugerir soluções inteligentes e criativas. Como se percebe nesse fragmento a perspicácia de Severino?



GABARITO:

01. Os representantes do clero são caracterizados como fracos e dissimulados, e os da polícia, como covardes.
02. Como Gil Vicente, Suassuna parece investir com mais força contra os representantes dessas instituições do que contra sua estrutura propriamente dita.
03. Por sua argumentação, que cria armadilhas para seus interlocutores.



II. Auto da Compadecida, Ariano Suassuna


JOÃO GRILO: E quem foi que disse que nós já fomos julgados pela justiça? 
PADRE: Você mesmo ouviu Nosso Senhor dizer que a situação era difícil. 
JOÃO GRILO: E difícil quer dizer sem jeito? Sem jeito! Sem jeito por quê? Vocês são uns pamonhas, qualquer coisa estão arriando. Não vê que tiveram tudo na terra? Se tivessem tido que aguentar o rojão de João Grilo, passando fome e comendo macambira na seca, garanto que tinham mais coragem. Quer ver eu dar um jeito nisso, Padre João? 
PADRE: Quero, Joca. 
JOÃO GRILO: Agora é Joca, hem? E você, Senhor Bispo?
BISPO: Eu também, João. 
JOÃO GRILO: Padeiro? 
PADEIRO: Veja o que pode fazer, João. 
JOÃO GRILO: Severino? Mulher e cabra? 
MULHER: Nós também. Nossa esperança é você [...]
JOÃO GRILO: Um momento, Senhor. Posso dar uma palavra? 
MANUEL: Você o que é que acha, minha mãe? 
A COMPADECIDA: Deixe João falar. 
MANUEL: Fale, João. 
JOÃO GRILO: Os cinco últimos lugares do purgatório estão desocupados?
MANUEL: Estão.
 JOÃO GRILO: Pegue esses cinco camaradas e bote lá.

                                                                    AUTO DA COMPADECIDA. 34. ed. Rio de Janeiro: Agir, 2004. p. 167; 168; 181


Exercícios

01. UEAP/2014
As ações descritas na cena teatral caracterizam bem o protagonista da peça que 

(A) busca, com sua esperteza, dar crédito aos argumentos do Bispo, por meio de chistes e piadas. 
(B) recorre, a cada novo conflito vivido por ele e o Padeiro, seu patrão, ao expediente de invocar a Compadecida.
(C) aparece subvertendo papéis, passando de oprimido a salvador dos seus opressores.
(D) renuncia completamente à ordem, ficando na plena marginalidade por suas escolhas de esferas categóricas.

02. UEAP/2014
Um auto é uma peça teatral – gênero dramático – marcado pela presença da alegoria. Frequentemente, é de inspiração religiosa e moralizante. No trecho citado, e em toda a peça, personagens como Manuel e Compadecida são construídos para 

(A) retratar o sentimento religioso do nordestino, numa visão iconoclasta. 
(B) expressar uma religiosidade simples e humanizada, mais próxima do povo. 
(C) exaltar o sentimento da justiça divina ao contemplar os simples e puros de coração. 
(D) denunciar o clero católico que, ávido por riquezas, deixa de cumprir a doutrina romana. 

03. UEAP/2014
 A peça Auto da Compadecida apresenta, estruturalmente, quinze personagens, e entre estas o Palhaço, usado como

(A) figura que mente, solícita e eficazmente, para praticar com esmero as artimanhas de João Grilo. 
(B) tipo de representação do covarde, do mentiroso inofensivo e de fé inabalável.
(C) pessoa que engana, na retórica popular e na tradição do jeitinho brasileiro, do patrão ao padre. 
(D) elemento de ligação na trama, por meio de suas peripécias e artimanhas. 


GABARITO
01.C
02.D
03.B

EXERCÍCIOS SOBRE SUJEITO E PREDICADO

    Para a gramática tradicional uma oração apresenta basicamente o sujeito e o predicado, pois em toda a oração é fundamental existir um termo sobre o qual se afirma algo e aquilo que se enuncia sobre ele.

Exercícios

01. Na frase: " Os cadernos verdes estavam sobre a cama",  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

02. Na frase: "Foram convocados todos os candidatos da lista de espera" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

03. Na frase: "Fizeram dois anos ontem meu minha filha e meu sobrinho" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

04. Na frase: "Já não se acredita em milagres" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

05. Na frase: "Pode chover menos amanhã" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

06. Na frase: " Choveram críticas ao jornal de ontem" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

07. Na frase: " Já basta de mentiras" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

08. Na frase: " Viste o mar azul de hoje?" ,  o sujeito se classifica como?

a) Sujeito simples
b) Sujeito composto
c) Sujeito oculto 
d) Sujeito indeterminado
e) Sujeito inexistente

09. Sobre a classificação do predicado, é incorreto afirmar:

a) Quando núcleo do predicado for um nome (adjetivo ou substantivo), ele será chamado de predicado nominal. O predicado nominal é composto por um verbo de ligação e um predicativo do sujeito. 

b) Quando o núcleo do predicado for um verbo, esse predicado será chamado de predicado verbal.

c) O predicado verbo-nominal assim é chamado por ser resultado da fusão de um predicado verbal com um predicado nominal.

d) No predicado-verbo nominal, o núcleo nominal apenas poderá ser representado pelo predicativo do objeto.

10. "O sol entra cada dia mais tarde, pálido, fraco, oblíquo."  "O sol brilhou um pouquinho pela manhã".  Pela ordem, os predicados das orações acima classificam-se como:

a) nominal e verbo-nominal
b) verbal e nominal
c) verbal e verbo-nominal
d) verbo-nominal e nominal
e) verbo-nominal e verbal

11. Classifique os tipos de predicado nos enunciados abaixo:

a) Ricardo chegou cansado.
b) O filme foi emocionante
c) Chove bastante na minha região.
d) O professor já corrigiu as provas.
e) Os excursionistas chegaram cansados.
f) Come-se com fartura em sua casa.
g) Todos ficaram quietos.
h) O ônibus saiu atrasado.
i) A taxa de mortalidade infantil está elevada.

12. Assinale a sequência correta quanto à classificação dos predicados das orações a seguir:

I.     Ela chegou à festa.
II.    Os moradores estavam revoltados.
III.  Ele encontrou os amigos no bar.
IV.   Os estudantes protestaram nervosos contra a corrupção. 
V.     Ela ficou aflita com a sua demora.

a) verbo-nominal, ; nominal; nominal; verbal; predicativo do objeto.
verbal
b) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; nominal.
c) verbal; predicativo do objeto; nominal; nominal; verbo-nominal.
d) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; verbal.

13. Sobre os enunciados abaixo, pode-se afirmar que:

I.   Milena está adoentada.
II.  Milena está no hospital.

a) O predicado é verbal em I e II.
b) O predicado é nominal em I e II.
c) O predicado é verbo-nominal em I e II.
d) O predicado é verbal em I e nominal em II.
e) O predicado é nominal em I e verbal em II.

14. "Éramos três velhos amigos na praia quase deserta". O sujeito desta oração é:

a) subtendido
b) claro, composto e determinado.
c) indeterminado.
d) inexistente.
e) claro, simples e determinado.






GABARITO:
01. a) Sujeito simples
02. a) Sujeito simples
03. b) Sujeito composto
04. d) Sujeito indeterminado
05. e) Sujeito inexistente
06. a) Sujeito simples
07. e) Sujeito inexistente
08. c) Sujeito oculto 
09. d) 
No predicado-verbo nominal, o núcleo nominal poderá ser representado pelo predicativo do objeto e também pelo predicativo do sujeito.
10. e) verbo-nominal e verbal
11. 
a) verbo-nominal
b) nominal
c) verbal
d) verbal
e) verbo-nominal
f) verbal
g) nominal
h) verbo-nominal
i) nominal

12) b) verbal; nominal; verbal; verbo-nominal; nominal.
13) e) O predicado é nominal em I e verbal em II.
14) e) claro, simples e determinado.